
A Renault Oroch foi a primeira picape de porte intermediário do Brasil. Desenvolvida a partir do Duster (de primeira geração), ela estreou no segundo semestre de 2015, mas nunca conseguiu protagonismo. Em poucos meses foi atropelada pela Toro, como se fosse um desatento pedestre em Pamplona.
Agora, 11 depois de tropeços, a marca francesa quer passar o passado a limpo e recuperar o terreno perdido num segmento que promete explodir nos próximos meses. A Niagara estreia não apenas para rivalizar com Toro, mas também com Ford Maverick, Ram Rampage, Chevrolet Montana, além das futuras Volkswagen Tukan e BYD Mako, que já foram reveladas.
Ou seja, se há uma década era uma rival, agora são pelo menos sete competidores com estratégias e soluções distintas, mas que disputam o mesmo cliente. Desenvolvida especificamente para o mercado latino, a Niagara combina características de um SUV médio (como fez a Toro em 2016) com soluções voltadas ao uso profissional, ao transporte de carga e à condução fora de estrada. O modelo será produzido na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina, e tem Brasil, Argentina e Colômbia entre seus principais mercados.
A Niagara faz parte do plano futuREady, estratégia da Renault que prevê o lançamento de 14 modelos fora da Europa até 2030. A picape utiliza a plataforma RGMP, desenvolvida para veículos destinados aos mercados latino-americanos e que também foi projetada para receber, futuramente, uma motorização híbrida.
Com 4,94 metros de comprimento na configuração 4x4, ou 4,91 metros na versão 4x2, a Niagara tem 1,72 metro de altura. As rodas podem ser de 17 ou 18 polegadas, dependendo da configuração. A dianteira adota grade verticalizada, capô elevado e faróis full LED. A carroceria também recebe proteções inferiores e um protetor de cárter inspirado em veículos destinados ao uso fora de estrada.
Na cabine, a proposta é aproximar a experiência de condução de um SUV. É praticamente o Boreal por dentro. O painel reúne uma central multimídia de 10,1 polegadas e quadro de instrumentos digital de 10,2 polegadas. O sistema OpenR Link tem integração com Google, Android Auto e Apple CarPlay, além do Google Gemini, sistema de inteligência artificial generativa. O modelo também oferece carregador de celular por indução e iluminação ambiente configurável em até 48 cores, conforme a versão.
O espaço interno inclui banco traseiro com possibilidade de reclinação de 25 graus e 20 cm de espaço para os joelhos, segundo a Renault. Há ainda um compartimento de 36 litros atrás dos bancos traseiros, acessível pela cabine com o rebatimento do assento.
A motorização prevista é um 1.3 turbo com injeção direta, disponível com gasolina ou flex conforme o mercado. Na configuração 4x2, são 156 cv, enquanto a 4x4 entrega 160 cv. O torque máximo é de 27,5 kgfm. O motor pode ser combinado a câmbio manual de seis marchas ou automático de seis velocidades com dupla embreagem úmida.
Suspensão de carro de luxo
A suspensão traseira da Niagara é um capítulo à parte. Ela utiliza sistema multilink (como a Toro), enquanto o chassi recebeu calibração específica para a picape. Segundo a Renault, as alterações reduziram em 30% a frequência natural dos movimentos da carroceria. O sistema de frenagem utiliza quatro discos ventilados.
Na caçamba, a Niagara oferece 938 litros de capacidade e carga máxima de 654 kg. Pode parecer pouco diante da miudinha Strada, mas está dentro das demais picapes que também se travestem de carros de passeio.
A tampa traseira tem acionamento elétrico e há oito pontos de ancoragem, tomada de 12V e revestimento interno para proteção contra desgaste. O modelo também dispõe de capa retrátil para proteção da carga e capacidade de reboque de 710 kg.
A versão 4x4 utiliza gerenciamento eletrônico da distribuição de torque entre os eixos. O sistema oferece modos de condução Eco, Comfort, Sport, Smart, MySense e Terrain, com transferência automática de torque para o eixo traseiro quando necessário. A distância livre do solo chega a 23,3 cm, contra 22,3 cm na configuração 4x2. Os ângulos de ataque e saída são de 22,1 graus e 22,1 graus na versão 4x4.
Conteúdos da Niagara
Entre os equipamentos de assistência estão controle de velocidade adaptativo com Stop & Go, frenagem autônoma de emergência, alerta e assistente de permanência em faixa, reconhecimento de placas, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro e câmera panorâmica de 360 graus.
O desenvolvimento da Niagara envolveu os centros de engenharia da Renault no Brasil e na Argentina. O programa de validação acumulou mais de 800 mil quilômetros e 50 mil horas de testes em asfalto e fora de estrada, com protótipos avaliados em Brasil, Argentina, Colômbia e também em centros da Renault na Europa.
Mas o que todo mundo quer saber ainda é mistério: o preço. As vendas deverão começar em novembro, quando os valores serão anunciados. Mas para concorrer com Toro em pé de igualdade, terá que se posicionar na faixa de R$ 165 mil a R$ 205 mil, onde figuram as versões flex da líder italiana.