
O anos 1970 foi o período de consolidação da hegemonia da Porsche nas competições de turismo e longa duração. Depois do sucesso do 917 em Le Mans, a Porsche intensificou o desenvolvimento de carros para diferentes modalidades.
Em 1973, a marca lançou o 930 (segunda geração do 911), que receberia a famosa versão Turbo com carroceria alargada no eixo traseiro. Esse carro serviu de base para incontáveis versões de pista, inclusive o 934, o 935 e o 934/5, que teve apenas 10 unidades construídas.
Ele foi apresentado em 22 de janeiro de 1977 para competir no Grupo 4 da IMSA, que é a FIA dos Estados Unidos. Combinava o focinho do 934 com a seção traseira do 935, que trazia amplas soluções de aerodinâmica, tração e refrigeração. Agora, 49 anos depois, a Singer Design, uma das mais respeitadas oficinas de restomod Porsche acaba de apresentar o DLS Turbo Sorcerer.
Baseado no 911 da geração 964 (produzida entre 1989 e 1994), o modelo inaugura oficialmente o programa DLS Turbo, que amplia o escopo técnico do já conhecido projeto Dynamics and Lightweighting Study (DLS).
O conceito mantém a premissa central da Singer: partir de um veículo fornecido pelo cliente e reconstruí-lo integralmente, com intervenções profundas em estrutura, mecânica, aerodinâmica e acabamento. No caso do DLS Turbo Sorcerer, o foco está na adoção de turboalimentação associada a soluções modernas de engenharia, sem abandonar a experiência de condução analógica.
O motor é um seis-cilindros opostos de 3,8 litros, com dois turbocompressores, desenvolvido a partir da base original do 964. O conjunto utiliza cabeçotes refrigerados a água, enquanto os cilindros mantêm refrigeração a ar, solução híbrida que permite melhor controle térmico sob altas cargas. A potência supera os 700 cv, com torque próximo de 76 kgfm, e o regime de rotação ultrapassa 9.000 rpm. A transmissão é manual de seis marchas, com tração exclusivamente traseira.
A estrutura original em aço é desmontada e reforçada, enquanto a carroceria passa a utilizar painéis de fibra de carbono. O desenvolvimento aerodinâmico inclui uso de simulações computacionais para otimizar resfriamento e estabilidade, com elementos inspirados nos Porsche 934 e 935 de competição, assim como no 934/5. A suspensão adota arquitetura de duplo braço sobreposto na dianteira, com componentes redesenhados também no eixo traseiro.
O bólido recorre a soluções desenvolvidas pela própria Singer, como os coletores de ar integrados às janelas espias. Diferentemente do carro de corridas que tinha as turbinas expostas no limite dos tubos de escape, o Sorcerer recebeu estratores inferiores. O escapamento de cada uma das bancadas do boxer foi posicionada na lateral, dando um charme extra ao carro, quando visto de lado.
O sistema de freios é carbono-cerâmico, com discos de grande diâmetro, enquanto as rodas são de magnésio, calçadas com pneus Michelin Pilot Sport Cup 2. O modelo conta ainda com modos de condução que ajustam parâmetros eletrônicos como controle de tração, estabilidade e ABS, além de sistema de elevação do eixo dianteiro para uso urbano.
O interior segue o padrão artesanal da Singer, combinando couro, Alcantara e fibra de carbono, com instrumentação analógica redesenhada e integração discreta de recursos modernos. Cada exemplar é configurado individualmente, refletindo escolhas estéticas e funcionais do proprietário.
Que carro!