Testamos o Jeep Commander com motor híbrido leve, que o deixou bem mais eficiente
Unidade elétrica 48 volts não traciona rodas sozinho, mas resolveu uma das reclamações do grandalhão pernambucano

A Stellantis intensificou seu plano de eletrificação para o mercado brasileiro e, consequentemente, o latino. Depois de Pulse, Fastback, 208 e 2008, chegou a hora de levar soluções de eficiência para a Jeep. Depois de conferir o Renegade Sahara MHEV, é a vez de testar o Commander MHEV.
E, nesse caso, a conversa muda um pouco. Afinal, o Commander pesa cerca de 220 kg a mais que o Renegade eletrificado. São cerca de 1.750 kg contra 1.530 kg. E isso faz muita diferença quando se trafega com lotação máxima (sete ocupantes, no caso do grandalhão).
Mas a novidade é bem-vinda. O motor T270 1.3 turbo de 176 cv e 27,5 kgfm de torque era mais que suficiente no Renegade, mas sempre deixou a desejar no Commander, principalmente em relação ao consumo, já que era necessário dar muito pedal para o modelo desenvolver (mesmo com a boa oferta de torque em baixa rotação).
O módulo elétrico 48V é mais vigoroso que o utilizado nos motores 1.0 turbo, como Pulse e 208. Esse motorzinho, que na verdade é um alternador mais potente, auxilia o motor a combustão com 6 kgfm extras de torque.
Mas ele não é capaz de tracionar as rodas por uma questão óbvia. Como está atrelado à correia de serviço, ela não seria capaz de girar o virabrequim, volante do motor, transmissão e as rodas.
Por outro lado, quando o motor a combustão está em funcionamento, a força extra alivia o esforço do bloco e ajuda a reduzir o consumo. Um ponto legal é que reduziu o efeito "turbo lag", que é um retardo da turbina quando está com baixa pressão.
Mas, para obter mais eficiência, os engenheiros da Stellantis mantiveram o sistema Start-Stop permanente. Assim, numa parada de semáforo ou ladeira, o motor é desligado e volta a funcionar quando se tira o pé do freio. Nesse momento, a resposta é lenta e o acelerador eletrônico parece ter sido calibrado para atuar de modo mais eficiente. Assim, por mais que se pise fundo, ele vai abrir o corpo de borboletas de acordo com a programação. Ou seja, fica molenga novamente.
Por outro lado, o calcanhar de Aquiles do Commander 1.3, que era o consumo, foi atenuado de forma significativa. Rodamos com o carro abastecido com gasolina e etanol, majoritariamente na cidade, e as médias ficaram na faixa dos 9,2 km/l. O conjunto é complementado com transmissão automática de seis marchas e tração dianteira.
O Commander com sistema MHEV é oferecido nas versões Limited (R$ 255.690) e Overland (R$ 283.790). A opção topo de linha conta com pacote farto de equipamentos, com quadro de instrumentos digital, conexão para smartphones, assistentes de condução (ADAS) e climatização digital de duas zonas. Ele ainda oferece bancos com ajustes elétricos, teto solar panorâmico e abertura elétrica do porta-malas.
É um carro interessante para quem busca um automóvel de sete lugares. A questão é que seus preços ultrapassam concorrentes chineses com sistemas híbridos plug-in, que prometem muita eficiência e podem até mesmo rodar apenas com eletricidade.