Testamos o Leapmotor B10, que tem preço de SUV nacional e pacote refinado
SUV elétrico da Stellantis custa o mesmo que versão topo de linha do Jeep Renegade, mas com muito espaço e tecnologia de sobra

Os automóveis elétricos chineses criaram uma distorção no mercado brasileiro. Afinal, eles são sofisticados, modernos e bem equipados. Tudo isso combinado com preços atraentes diante de modelos nacionais, que nem sempre oferecem tudo o que eles entregam. E o Leapmotor B10 é mais um chinês que levanta a questão: é hora de ter um elétrico asiático?
Com preço sugerido de R$ 183 mil, o B10 tem porte semelhante ao de um Jeep Compass e conta com um motor elétrico de 218 cv e 24,5 kgfm de torque. Números que garantem boa desenvoltura ao SUV chinês. Sua bateria de 56,2 kWh promete 288 km pelo padrão do Inmetro, mas, na prática, ele consegue superar essa marca.
O pacote de equipamentos desse chinês reúne praticamente tudo o que se espera de um carro elétrico moderno. Ele oferece quadro de instrumentos digital, pacote ADAS completo, central multimídia de grandes dimensões com conexão Apple CarPlay e Android Auto, câmera de 360 graus, conexão 4G, GPS integrado e concentra praticamente todas as funções do carro, como ajustes dos retrovisores, climatização e até abertura do teto solar panorâmico. Tudo isso garante um visual minimalista no interior. Não preciso repetir que detesto a concentração de funções na tela. É ótima para reduzir custos de produção; não é nada prática para quem compra o carro.
Para se posicionar um degrau abaixo do C10, o B10 abre mão de alguns mimos, como ajuste elétrico dos bancos e abertura elétrica do porta-malas. Considerando que o proprietário regula o banco uma única vez e não abre o bagageiro constantemente, a ausência desses itens não incomoda.
O espaço interno agrada. Os 2,73 m de entre-eixos se traduzem em muito espaço para os ocupantes, principalmente no banco traseiro. O porta-malas de 420 litros também oferece bom volume. Se não fosse pela limitação da autonomia, o B10 seria uma excelente opção tanto para o uso cotidiano quanto para viagens.
E, por falar em autonomia, no uso urbano a regeneração nas frenagens e desacelerações ajuda a preservar a carga da bateria. O trânsito congestionado é justamente o ambiente ideal para um veículo elétrico. Rodamos durante cinco dias úteis sem necessidade de recarga, em um trajeto diário de aproximadamente 50 km.
Ou seja, para o uso cotidiano, o B10 se revela uma excelente alternativa de automóvel familiar. Ter um carregador em casa traz tranquilidade. No entanto, nem toda residência possui infraestrutura adequada para instalar um wallbox, seja por limitações da rede elétrica ou por regras condominiais.
Mas, nos grandes centros urbanos, existe ampla oferta de pontos de recarga e empresas especializadas nesse serviço, com carregadores rápidos em corrente contínua, inclusive em Belo Horizonte. Utilizamos um desses serviços, no Barro Preto, onde recuperamos rapidamente 100 km de autonomia ao custo de R$ 30.
Considerando o preço médio do etanol hidratado em Belo Horizonte, na faixa de R$ 4,03, segundo pesquisa do Mercado Mineiro, os mesmos R$ 30 permitiriam abastecer cerca de 7,4 litros de combustível. Com um consumo urbano na casa dos 6,5 km/l, típico de um SUV médio, seria possível percorrer aproximadamente 48 km. Ou seja, o quilômetro rodado com eletricidade gira em torno de R$ 0,30, enquanto no etanol salta para R$ 0,62. É um caso a se pensar.