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Testamos o novo Citroën C3 XTR, com uniforme de escoteiro

Citroën C3 XTR resgata versão aventureira para atrair quem não tem grana para um SUV

Marcelo Jabulas@mjabulas
Publicado em 21/12/2025 às 10:52.

A linha 2026 do Citroën C3 marca o retorno da versão XTR, conhecida nos anos 2000 pelo apelo visual aventureiro em uma época em que modelos como o Volkswagen CrossFox ganharam espaço. Agora, a proposta ressurge em um contexto bem diferente: o de um mercado amplamente dominado pelos SUVs compactos. Ainda assim, o C3 XTR tenta encontrar seu lugar apostando em custo-benefício e em um pacote de equipamentos mais completo dentro da própria gama da marca.

Com preço sugerido de R$ 98 mil, ou R$ 90 mil em ação de venda direta pelo site da Citroën, o XTR adota elementos estéticos que remetem ao fora de estrada. Entre eles estão as rodas de liga leve aro 15 e os pneus Pirelli Scorpion ATR, de uso misto. Na prática, porém, o apelo aventureiro é mais visual do que funcional: o modelo mantém tração dianteira, não tem preparação específica para trilhas e os pneus, além de caros, geram mais ruído no uso urbano.

Por outro lado, o acabamento evoluiu em relação às versões de entrada. O interior recebeu novas padronagens, apliques que imitam couro no painel e bancos com revestimento diferenciado, elevando a percepção de qualidade e corrigindo parte das críticas feitas ao C3 mais básico.

O pacote de equipamentos é o principal argumento do XTR. O modelo traz ar-condicionado digital, chave tipo canivete e quadro de instrumentos digital igual ao do C3 Aircross, itens ausentes nas versões inferiores. O espaço interno segue como um ponto positivo, com boa altura e posição de dirigir mais vertical. O porta-malas de 315 litros permanece entre os maiores do segmento de hatches compactos.

Na comparação interna, o C3 Feel Pack, vendido por cerca de R$ 87 mil, não oferece faróis de neblina, rodas de liga leve nem o mesmo nível de acabamento, o que torna o XTR uma opção mais equilibrada, apesar do preço maior.

Sob o capô, não há novidades. O C3 XTR utiliza o motor 1.0 Firefly de três cilindros, com 75 cv e 10,7 kgfm de torque, sempre com câmbio manual de cinco marchas. O desempenho é adequado ao uso urbano, com boas respostas em baixa rotação, mas limitações em subidas e retomadas. O câmbio tem engates mais duros e menos precisos que os do Peugeot 208, modelo “irmão” de plataforma.

No balanço final, o Citroën C3 XTR 2026 não é um SUV, mas um hatch com visual diferenciado e bom nível de equipamentos. Pelo valor promocional, pode agradar quem busca um carro urbano com mais conteúdo e estilo. Já quem precisa de mais espaço e desempenho encontra opções como o C3 Aircross ou o Basalt, ambos SUVs, porém com parcelas mais altas.

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