Demorou, mas melhorou

Testamos o Volkswagen Taos: modelo se ajusta, mas esbarra num mercado ainda mais competitivo

Veja destaques da versão topo de linha, Highline, de R$ 214 mil

Marcelo Jabulas
@garagemdojabulas
Publicado em 17/10/2026 às 07:00.
Volkswagen Taos melhorou demais depois da atualização de meia vida, com direito a novos conteúdos e melhorias mecânicas, o problema é que a concorrência evoluiu ainda mais rápido (Marcelo Jabulas)
Volkswagen Taos melhorou demais depois da atualização de meia vida, com direito a novos conteúdos e melhorias mecânicas, o problema é que a concorrência evoluiu ainda mais rápido (Marcelo Jabulas)

Quem sou eu para chancelar ou rechaçar as estratégias dos fabricantes de automóveis. Mas fato é que o Volkswagen Taos está longe de ter sido um case de sucesso. O modelo chegou em 2021, como uma resposta ao Jeep Compass, que dormia em berço esplêndido desde o fim de 2016.

A marca queria tanto um SUV para se posicionar entre o T-Cross e o Tiguan que abandonou o projeto Tarok, que seria a picape intermediária da VW. Mas o modelo estreou bem aquém do prometido e o mercado reagiu imediatamente. O Taos era um T-Cross alongado, tinha acabamento simples, um painel digital inferior ao irmão mais barato e não trazia nenhuma novidade expressiva sob o capô. 

O motor 250 TSI 1.4 de 150 cv e 25,5 kgfm de torque, combinado com transmissão de seis marchas, era o mesmo do T-Cross Highline. Ou seja, era mais caro sem efetivamente entregar tal percepção. 

No fim de 2025, a VW viu que precisa atualizar o modelo, principalmente com o aumento da participação de SUVs chineses, eletrificados e abarrotados de tecnologia. E para piorar, eram mais baratos que o jipão portenho da Volks. 

Assim, o modelo passou por leve plástica, para ficar em consonância com o visual de seus familiares. Junto a isso, ganhou nova transmissão de oito marchas e um upgrade de conteúdos, com direito a pacote ADAS mais completo e melhora no acabamento. E o mais importante, ficou mais barato, partindo de R$ 200 mil.

Testamos a versão topo de linha, Highline (R$ 214.490). O SUV agrada pelo bom desempenho. É um carro equilibrado. A nova transmissão deu mais elasticidade ao modelo, que tem relações mas longas nas marchas finais, o que privilegia a eficiência. E quando é preciso acelerar, os 25 quilos de torque são mais que suficientes para garantir ultrapassagens seguras.

O pacote de conteúdos é agradável, assim como a montagem e a melhora do acabamento. Agora se tem uma percepção de automóvel digno de seu segmento. É um carro que leva com conforto e segurança toda a família. 

O problema do Taos é que ele é perfeito numa fotografia 3x4. Quando se abre a tela e vemos a concorrência ao redor, ele se complica. Isso porque seus concorrentes diretos oferecem valores bem mais palatáveis. Compass, Corolla Cross e Boreal têm valores iniciais mais agressivos. 

E se não bastasse, ainda há a presença de modelos chineses, com opções elétricas, híbridas e ultra-híbridas que concorrem na mesma faixa de preço, ou mais baratos. Assim, o Taos é uma pedida para o consumidor que não quer se arriscar em marcas novas ou apostar em conjuntos eletrificados. É um ótimo carro, pena que seus concorrentes também são (e mais baratos).

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