
A Nissan decidiu descontinuar as vendas do Versa nos Estados Unidos. O modelo era o único abaixo dos US$ 20 mil e a marca japonesa resolveu tirá-lo de linha, por lá, sob o argumento de apostar em produtos de maior valor agregado.
Na terra do Tio Sam, o Versa partia de tentadores US$ 17.190 (R$ 95.770, numa conversão direta), o que fazia dele o carro mais barato dos EUA. Com a saída, a opção mais em conta para o consumidor norte-americano se torna o Hyundai Venue, utilitário-esportivo que salta para US$ 21,5 mil.
Ou seja, ficou mais caro ter um carro novo na garagem da América (como eles gostam de dizer). A Nissan justifica a medida como parte de sua reestruturação, que prevê a oferta de modelos mais refinados e com tíquete mais elevado. Receita que tem sido adotada no Brasil por toda a indústria de vender menos com preços maiores.
Mas fato é que a história é um pouco diferente. A marca japonesa está na penúria, devido ao casamento combalido com a Renault. A situação é tão grave que a Nissan quer retomar as negociações de fusão com a Honda, que por sua vez deverá exigir contrapartidas ainda mais draconianas para evitar o naufrágio da conterrânea.
Entre as ações para tentar se salvar, está o fechamento de fábricas como a planta mexicana de Cuernavaca. Na unidade eram produzidos o Versa e a picape Frontier. Toda produção será concentrada na unidade de Aguascalientes e pelo visto, o Versa não é prioridade.
Por aqui, a marca garante que o modelo não sairá de linha (a curto prazo). E a julgar pelo desempenho medíocre de cerca de 780 unidades mensais, ele poderá ter um volume de estoque para atender a demanda tupiniquim ao longo de 2026. Resta saber se o plano de oferecer modelos mais sofisticados também vale para o Brasil.
É uma pena, pois o Versa é um excelente automóvel. Bem construído, com muito espaço e tem visual agradável. Seu “senão” é o desempenho comedido do velho motor 1.6 de 113 cv, mas que entre os demais sedãs do segmento, não foge ao que eles entregam.