TESTE

Versão mais refinada do C3, XTR trava uma batalha contra o preço

Bem resolvido, C3 XTR seria uma excelente opção se não custasse tão caro

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 16/05/2026 às 06:59.
 (Foto: Marcelo Jabulas)
(Foto: Marcelo Jabulas)

O mercado de automóveis vive uma luta contra o preço, da mesma forma que muita gente vive um duelo constante contra a balança. Um exemplo é o Citroën C3 XTR. A versão aventureira do compacto francês chegou em 2025 para dar mais qualificação ao modelo, sem abusar demais da etiqueta.

Quando o testamos em dezembro passado, o carrinho custava R$ 98 mil, mas poderia ser adquirido por R$ 90 mil, se a negociação fosse feita direto com o estoque da fábrica. Hoje, seis meses depois, ele custa R$ 100.590 (ou R$ 93.590, na condição especial).

Ou seja, ele não conseguiu sustentar o principal apelo era vender uma proposta SUV com preço de hatch de entrada. Romper a barreira dos R$ 100 mil é algo simbólico e que direciona o consumidor a considerar modelos mais qualificados: "se estou pagando caro, pagarei por algo melhor".

Claro que o C3 XTR não está sozinho na escalada de preços, é um movimento sincronizado que abarca toda a indústria. A etiqueta sugerida elevada muitas vezes é atenuada por feirões da fábrica ou promoções bancadas pelos concessionários. Aquela doce impressão de que estamos tendo um desconto real. Sabe como é né?

Ou seja, o carro no Brasil não para de encarecer. Mas o que o C3 XTR tem para merecer seu dinheiro? Vamos lá.

O C3 XTR é a versão bacaninha da linha, é mais legal até que a versão You (com motor turbo), no quesito visual. Ela adota elementos estéticos que remetem ao fora de estrada. Entre eles estão as rodas de liga leve aro 15 e os pneus Pirelli Scorpion ATR, de uso misto (que é totalmente desnecessário e encarece a troca futura). Na prática, porém, o apelo aventureiro é mais visual do que funcional: o modelo mantém tração dianteira, não tem preparação específica para trilhas e os pneus, além de caros, geram mais ruído no uso urbano.

Mas é preciso reconhecer que a maior percepção está no interior. O acabamento evoluiu em relação às versões de entrada. A versão ganhou apliques que imitam couro no painel e bancos com revestimento diferenciado, elevando a percepção de qualidade e corrigindo parte das críticas feitas ao C3 mais básico.

Já a lista de conteúdo se equipara aos irmãos mais qualificados como Aircross e Basalt, com a adoção de ar-condicionado digital, chave tipo canivete e quadro de instrumentos digital com diferentes grafismos. O espaço interno é um dos diferenciais do C3, principalmente na batalha da base do mercado contra Mobi e Kwid, com boa altura e posição de dirigir mais vertical. O porta-malas de 315 litros permanece entre os maiores do segmento de hatches compactos.

Ao volante, o carrinho agrada graças ao motor Firefly 1.0 de 75 cv. Ele não é o carro mais vigoroso, mas resolve muito bem no caos do trânsito. Tem muito torque em baixa, o que é ótimo para vencer as ladeiras mineiras e medidas que facilitam na hora de buscar por vagas ou se espremer nos congestionamentos.

O C3 XTR é um carro legal, mas assim como boa parte da população está fora de forma. Se fosse R$ 20 mil a menos, é carro para figurar em qualquer garagem.

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